Com Quantas Parcelas Atrasadas Perco o Carro? Guia Completo 2025

Com Quantas Parcelas Atrasadas Perco o Carro? Guia Completo 2025

Se você está financiando ou já financiou um veículo e se pergunta “com quantas parcelas em atraso posso perder o carro?”, este guia completo para 2025 vai trazer respostas objetivas sobre a busca e apreensão de veículo, o que a legislação brasileira exige, o que as instituições costumam praticar e, mais importante, como você pode agir para proteger o seu bem.

1. Entenda a legislação: alienação fiduciária & garantias

Quando você financia um veículo e o bem é dado em garantia, normalmente o contrato se baseia na modalidade de alienação fiduciária. Nessa modalidade, embora você tenha a posse e o uso do veículo, a propriedade formal do bem permanece com a instituição financeira até a quitação das parcelas.

A base legal dessa garantia está no Decreto-Lei nº 911/1969, que dispõe que “vencida e não paga, no seu vencimento, qualquer parcela do débito garantido pela alienação fiduciária, poderá o credor fiduciário requerer contra o devedor a busca e apreensão do bem”.

Ou seja: a lei não exige um atraso de muitas parcelas para que o credor tenha direito a agir. Basta, em tese, uma única parcela não paga para que se configure a mora do devedor.

2. Quantas parcelas em atraso para perder o veículo?

Essa é a pergunta que faz muitos devedores se preocuparem — e a resposta é dividida entre “o que a lei diz” e “o que costuma ocorrer”.

2.1 O que a lei diz

De acordo com a legislação vigente, o credor pode iniciar a ação de retomada (busca e apreensão) já com o atraso de uma única parcela, ou seja, não existe previsão legal de “três parcelas em atraso” como requisito indispensável.

2.2 O que costuma ocorrer na prática

Mesmo que a lei permita agir logo com uma parcela, na prática as financeiras costumam esperar algum tempo antes de iniciar o processo. Há relatos de instituições que esperam entre 60 a 90 dias de atraso (aproximadamente 2 a 3 parcelas) antes de mover a ação, embora isso não reduza o risco de você perder o veículo.

Em resumo:

  • Na teoria: atraso de 1 parcela já pode gerar ação.
  • Na prática: a maioria das financeiras espera 2 a 3 parcelas.
  • Atenção: não existe “prazo de segurança”. O risco existe desde o primeiro atraso.

3. Como funciona o processo de busca e apreensão?

Compreender os passos ajuda a identificar pontos de vulnerabilidade e saber como atuar.

  • Constituição em mora: o credor deve enviar uma notificação extrajudicial ou carta registrada ao devedor, comunicando o atraso e a possibilidade de ação judicial.
  • Ajuizamento da ação: se o pagamento não for feito, o credor pode ajuizar ação de busca e apreensão com base no contrato de alienação fiduciária.
  • Mandado de apreensão: com decisão liminar do juiz, o veículo pode ser apreendido por oficial de justiça.
  • Prazo para purgar a mora: após a apreensão, o devedor tem 5 dias corridos para quitar a dívida (parcelas vencidas, vincendas e encargos) e recuperar o veículo.
  • Leilão do veículo: se o pagamento não ocorrer, o banco pode vender ou leiloar o carro. Se o valor não cobrir a dívida, o devedor ainda responde pelo saldo restante.

4. O que costuma ocorrer na prática nas instituições financeiras?

Na prática, os bancos possuem políticas internas conhecidas como “régua de cobrança”, que definem quando e como agir em caso de inadimplência. Muitas vezes, o banco tenta negociar antes de entrar com a ação, pois o processo judicial gera custos.

  • Há casos de veículos apreendidos com menos de 30 dias de atraso.
  • As cobranças por telefone e e-mail costumam aumentar antes da ação judicial.
  • Negociações e acordos podem evitar a apreensão, desde que formalizadas e cumpridas integralmente.

5. Como evitar a perda do carro?

Se você está com parcelas atrasadas ou teme não conseguir pagar, siga estas orientações:

  • Atualize seu endereço e telefone no cadastro da financeira.
  • Procure renegociar a dívida assim que perceber dificuldade de pagamento.
  • Não ignore notificações extrajudiciais ou cartas de cobrança.
  • Evite deixar acumular parcelas. Quanto antes negociar, mais chances de sucesso.
  • Se já houver ação judicial, busque um advogado especialista em direito bancário.

6. FAQ: Perguntas Frequentes – Financiamento de veículo & atraso

Quanto tempo demora um processo de busca e apreensão de veículo?

Não há prazo fixo. Após o ajuizamento e a liminar, o carro pode ser apreendido em poucos dias. Depois, há 5 dias corridos para pagar e recuperar o bem.

Posso perder o carro com apenas uma parcela atrasada?

Sim. A lei permite ação de busca e apreensão com uma única parcela vencida e não paga.

A financeira sempre espera 2 ou 3 parcelas para agir?

Não. Isso é apenas prática de mercado, não obrigação legal. O risco existe desde o primeiro atraso.

Se eu negociar depois de 2 parcelas, ainda posso perder o veículo?

Sim, se o acordo não for formalizado ou se a ação já estiver em andamento.

Depois da apreensão, posso recuperar o carro?

Sim, se quitar a dívida integral (parcelas vencidas, vincendas e encargos) dentro do prazo legal de 5 dias corridos.

E se o carro for vendido por valor menor que a dívida?

O devedor ainda será responsável pelo saldo remanescente.

 

 

João Inácio

João Gabriel Inácio é advogado especialista em Direito do Consumidor e Direito Bancário, fundador do escritório João Inácio Advogados Associados, escritório referência contra Bancos e Financeiras.

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JOÃO GABRIEL INÁCIO

ADVOGADO ESPECIALISTA EM DIREITO DO CONSUMIDOR

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