O que vem depois que o banco toma o carro na busca e apreensão?
Ter um carro apreendido pelo banco é uma situação que gera insegurança, dúvidas e medo de prejuízos irreversíveis. Após o veículo ser retirado na ação de busca e apreensão, muitos consumidores se perguntam: o que vem depois? Ainda há algo que posso fazer? A dívida continua? O nome fica sujo?
A boa notícia é que nem tudo está perdido. Neste artigo, você vai entender exatamente o que acontece após o banco tomar o carro na busca e apreensão e o que pode ser feito para reverter ou minimizar os danos.
O que significa “o banco tomou o carro”?
Quando dizemos que “o banco tomou o carro”, estamos nos referindo à fase prática da ação de busca e apreensão, prevista no Decreto-Lei 911/69. Isso acontece quando:
O contrato é de alienação fiduciária
O devedor deixa de pagar as parcelas
O banco entra com ação judicial e obtém autorização do juiz para apreender o bem
Um oficial de justiça cumpre a ordem e recolhe o veículo
Mas a apreensão não encerra o processo, e o consumidor ainda possui direitos importantes.
O que vem depois da apreensão do veículo?
1. O carro é levado para um pátio ou local designado
O veículo apreendido é recolhido e fica sob a guarda do banco ou de empresa credenciada. A partir daí, corre o prazo de 5 dias úteis para que o devedor tome uma decisão.
2. Começa o prazo para purgar a mora
O consumidor tem cinco dias úteis para purgar a mora, ou seja:
Quitar as parcelas vencidas
Pagar encargos legais e judiciais
Arcar com custos de remoção e depósito (se houver)
Se fizer isso no prazo, o juiz determinará a devolução imediata do veículo.
⚖️ Art. 3º, §2º, do Decreto-Lei 911/69
Mesmo após a apreensão, ainda é possível evitar a perda definitiva do carro.
3. O banco pede a consolidação da propriedade
Se o devedor não purgar a mora em 5 dias, o banco pode requerer ao juiz a consolidação da propriedade do veículo em seu nome.
Com isso, o banco se torna dono do carro e pode vendê-lo para abater a dívida.
4. Venda do veículo: prazo de 30 dias
Após a consolidação, o banco deve vender o veículo no prazo de 30 dias. Pode ser:
Por leilão público
Venda direta
Repassado a concessionária
O valor da venda será usado para quitar total ou parcialmente a dívida.
5. Cobrança do saldo remanescente
Se o valor obtido na venda não for suficiente para quitar a dívida, o banco pode cobrar judicialmente o chamado saldo remanescente.
Exemplo:
Valor da dívida: R$ 40 mil
Valor da venda: R$ 30 mil
Saldo devedor: R$ 10 mil → o banco pode cobrar essa diferença
6. Seu nome continua negativado?
Sim. A apreensão do carro não quita a dívida. Enquanto houver valor em aberto, o nome do consumidor pode permanecer negativado nos órgãos de proteção ao crédito (Serasa, SPC etc.).
E se o banco vender o carro fora do prazo?
Se o banco não vender o carro em até 30 dias após a consolidação da propriedade, poderá ser responsabilizado por:
Desvalorização do bem
Prejuízos ao consumidor
Perda do direito de cobrar saldo remanescente (em alguns casos)
–Estratégia: Esse detalhe é pouco conhecido, mas pode ser usado na defesa do consumidor, inclusive para discutir o valor do débito.
Posso contestar o processo mesmo depois da apreensão?
Sim! Ainda é possível apresentar defesa (contestação) no prazo de 15 dias úteis, alegando:
Falta de notificação válida
Juros abusivos ou encargos ilegais
Cláusulas abusivas no contrato
Inobservância de prazos e requisitos legais
⚖️ Súmula 72 do STJ: “A comprovação da mora é imprescindível à busca e apreensão do bem alienado fiduciariamente.”
O que você pode fazer depois da apreensão do carro?
Veja o checklist:
✅ Verificar se houve erro na notificação da mora
✅ Avaliar se é possível purgar a mora e reaver o carro
✅ Pedir análise do contrato para revisar cláusulas abusivas
✅ Apresentar defesa no processo e tentar suspender a venda
✅ Negociar com o banco uma solução mais vantajosa
Conclusão
Quando o banco toma o carro na busca e apreensão, o processo não termina aí. O devedor ainda pode:
Quitar a dívida em 5 dias e reaver o bem
Apresentar defesa e contestar cláusulas ilegais
Evitar que o banco venda o veículo abaixo do valor de mercado
Negociar formas alternativas de pagamento
Com o apoio jurídico adequado, é possível reverter a situação ou, no mínimo, reduzir os danos financeiros.
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